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Mauro Veríssimo
"À minha Bella, a mulher mais admirável dos jardins dos meus sonhos. Minha vida, a ti pertence."
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                                             Chave e Fechadura




Discutimos muito a respeito da vida, do que somos e a respeito do que nós temos em mente em relação ao nosso futuro. Penso nisso todos os dias da minha vida, mas há situações que podemos comparar e que muito bom faz para a nossa mente e para o nosso espírito, quando vemos que tudo combina dentro do universo que compartilhamos.

Uma dessas comparações é o papel do homem e o da mulher nesse plano terreno, qual seria o objetivo de cada um?

De uma forma bem romântica e metafórica essa combinação entre a humanidade e a não humanidade das coisas é muito interessante, mas tudo termina num enlace que poderia mudar a mente de muitos que conceituam, em peculiar, as mulheres como meros objetos de conquista, que após a batalha ganha, podem ser descartadas e deixadas ao esquecimento.

Pois bem, vamos imaginar que o homem seja a chave e a mulher seja a fechadura.

O homem viaja aos quatro ventos, direcionando o corpo e o espírito para todos os lugares imagináveis e inimagináveis. Vê o vinho e a água, os pássaros e os animais terrestres, flores e todo o tipo de vegetação, ele pode tudo, o infinito está ao seu lado.

Mas o homem não percebe a diferença entre cores e sabores, assim como a beleza e a grandeza da vida, sentimentos estes que estão além da sua compreensão. Ele apenas vive uma vida cheia de riquezas, mas sem o real sabor da complexidade que a vida oferece de fato.

A mulher é a fechadura, move-se de uma forma lenta, praticamente estável, num espaço específico, escolhido por ela. Quando acha o seu mundo, faz desse local a sua morada e habita por todo o tempo que lhe for permitido. Criando todos os meios de vida, todas as formas de sentimentos que ficam preservados em seu corpo e em sua alma. Ela é o mundo em si, ela é a vida, ela é tudo.

Mas a mulher fica sem o conhecimento existente de outros mundos, outros universos, devido a se dedicar para aquele ambiente que ela criou, cultivou e preservou.

Quando o homem e mulher se encontram a combinação perfeita acontece, é igual a chave quando encontra a sua fechadura, ambos são únicos, um para o outro, enquanto houver vida em seus corpos. O portal é aberto e um mundo novo é descoberto para ambos, mundo esse que lhes era desconhecido.

A vida masculina se transforma com essa união, a mulher lhe oferece o poder de ver a essência e a existência de tudo a sua volta, eles deixam de ser cegos, sem sentimentos, sem distinção. Passam a diferenciar as cores e os sabores de tudo o que não percebiam. Pois passam a ver a vida pelos olhos do seu par, do seu outro eu, como se fossem um só.

A vida feminina passa a vivenciar os outros mundos que desconheciam e a beleza característica de cada um deles, passando pela mesma transformação que o homem que a encontrou. 

Nesse instante eles descobrem que esse elo conjugal é divinal, chave e fechadura, a base de tudo, o complemento vital para toda a existência. Nada é mais belo do que essa união, quando encontram a finalidade das suas vidas, para com esse mundo.

A grande mulher, a fechadura. O grande homem, a chave. Que abrem os portais ao se encontrarem. Abrindo universos que antes eram vazios e que estão agora, preenchidos da mais pura luz.

Uma chave nasce para apenas uma fechadura e uma fechadura para apenas uma chave, não há outras, mas somente uma e uma apenas, quando se perde uma fechadura a chave fica inútil e vice e versa, fica sem o seu objetivo divinal, ficando definitivamente inócua. A não ser que o grande construtor, num trabalho solene, restaure o elemento antes perdido, para que o elo seja novamente criado. Fato raro, porém, não impossível.

Assim é o homem quando perde a sua mulher, fica desesperado, ele retorna a observar tudo como antes, sem vida e sem sabor. E a mulher fica sem os demais universos à sua volta, que antes vivenciou. Ficam apenas as lembranças daquele enlace glorioso e a dor da solidão, devido a ausência da outra metade, agora perdida. Todos os sentimentos lindos que vibravam neles enquanto unidos estão perdidos, a origem do fruto da glória se foi,  para uma localidade perdida, muito distante.

É um desespero sem igual, não há como recuperar uma vida assim, esses seres são essenciais para a existência da vida, quando se perde esse elo, não há como repor, pode-se procurar por todos os lugares, mas não há respostas para as súplicas e clamores. Só resta a dor, sentimento sombrio que se manifesta deixando-os num estado animalesco, de total irracionalidade.

Homem e mulher, chave e fechadura, que o elo vital da essência e existência sempre nos mostre a vida nesse contexto em que as mulheres sejam o grande elo com o mundo e os homens os seus guias. A força motriz e vital para continuar a matemática da vida, deixando o caos de lado e encontrando nessa terra de alegria e de amor tudo o que existir de belo, o cosmo.
 
Quando abrimos esse tão sonhado portal, na realidade, estamos entrando na verdadeira vida divinal, a realidade tão desejada pelos seres da criação, desde a construção do tão mítico jardim do éden.
 

Mauro Veríssimo
Enviado por Mauro Veríssimo em 26/09/2010
Alterado em 07/08/2015

Música: Quando a Chuva Passar - Paula Fernandes

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