Caro Daniel Veríssimo – Bad Boys Para Sempre
Muitos anos se passaram, mas a dor continua a mesma; chega a ser dilacerante imaginar o meu mundo sem você. Eu vi você nascer e o segurei nos braços quando era apenas um bebê de três dias. Pude testemunhar os seus primeiros passos, as suas primeiras palavras, o seu primeiro dia no colégio e a nossa terna e eterna mania de competir um com o outro. Às vezes, nem dava para saber qual de nós dois era o mais infantil. Creio que, no fim, sempre era eu, mesmo tendo onze anos a mais. (Risos.)
Depois vieram a adolescência, o exército, a vida profissional, o amor, os desentendimentos e as alegrias típicas de uma existência tão cheia de vida. Tive o privilégio de ser testemunha de tudo isso, e foi muito bom.
Lembro-me de quando compramos o nosso PlayStation 2: foi o máximo! Éramos dois marmanjos bancando crianças de seis anos, fazendo birra quando um perdia feio para o outro, sem que nenhum dos dois desse o braço a torcer. Lembro-me também das noites de sono que um de nós perdeu, preocupado com a demora do outro em chegar em casa no horário de costume. Nossas vidas entrelaçavam-se como se fossem uma só, como deve acontecer entre verdadeiros irmãos.
Agora, você está em outra dimensão, vendo-me e torcendo por mim nesta terra perdida, buscando levar luz à minha mente turva e sem brilho, para que eu possa, mesmo com essa dor incessante, prosseguir no caminho e continuar encontrando motivos para viver... É, meu irmão, meu tampinha, você faz muita falta aqui no meu peito.
Mas tenho de seguir com a minha vida. Não posso cair. Quando o meu tempo chegar, também terei de fazer a travessia e me reencontrar com você. Seria vergonhoso chegar com as mãos vazias. Por isso, tenho de honrar tudo o que você me ensinou desde o tempo em que eu o via dormir no berço.
Tenho de honrar a vida que tenho. E isto acontecerá sempre que eu me espelhar na vida que você trilhou. Prometo que seguirei o seu caminho, tendo sempre a paz, o amor e a simplicidade como metas, para que eu não venha a envergonhar você quando nos reencontrarmos. Você foi um símbolo de honestidade, caráter e dedicação para todos os que o conheceram: o filho fiel, o irmão justo, o amigo do peito e o namorado gentil. Felizes foram aqueles que tiveram a honra de conhecer você.
Vou continuar a trilhar o meu caminho neste mundo. Não sei até onde posso chegar nem para onde irei, mas seguirei sustentado pela força dos meus pais e dos amigos que tenho. Seria uma desonra para eles desistir de viver. É por eles que luto todos os dias: para ser o melhor daquilo que existe dentro de mim e tornar-me, a cada dia, uma versão melhor de mim mesmo.
Dessa forma, creio que não apenas seguirei o seu exemplo, mas também transmitirei a minha luz àqueles que lutam para sobreviver às perdas da vida — perdas como a que eu tive, de alguém tão especial quanto você.
Do seu irmão e amigo, que nunca deixará de pensar em você, meu irmão...
Bad Boys para sempre...