O Senhor do Tempo
Vejo as plantas,
Suaves e delicadas.
O tempo é algo que,
Quando belo, fascina,
Pois passa ao nosso redor
Sem que o percebamos,
Levando a juventude,
Deixando-a distante,
Apenas nos pensamentos
Deste jovem idoso,
Que aprende com o tempo
Que a vida é um sinal
Tão semelhante e contínuo
Quanto estas plantas que vejo.
Olho-me no espelho,
Vejo que estou a ficar
Um dia mais velho,
Um dia mais experiente,
Com um dia a mais de história,
Que conta glórias e fracassos,
Alegrias e tristezas,
Típicas de um cidadão
Dos tempos em que
Sentia-se o senhor do tempo.
E nada mais é do que
Um simples ser,
Sereno e descuidado,
Que aprendeu a viver
Uma vida aos sussurros do vento,
E do amor que tem pela vida.
Desejo a vida ardentemente.
Apesar de a idade vir a me castigar,
Ainda tenho a mente sã,
Sabendo que a velhice é um aprendizado
Que só os jovens velhos,
Serenos e dedicados,
São os que a conseguem atravessar.
Meu destino trouxe-me a alegria
De saber que,
Só neste instante tardio,
É que encontrei a minha verdadeira,
Tão verdadeira juventude,
Já que não estou cego pelo prazer
E estou vivo para sempre sentir.
Que enquanto a minha história
For o meu presente,
Estarei a observar a felicidade
Que atravessa sussurrando
Estas lindas plantas,
Suaves pelo seu destino
E delicadas como um jovem velho.