Mauro Veríssimo
"Não posso dizer o que não sei, mas posso dizer que a amo intensamente. Minha vida, a ti pertence."
Textos

A Sociedade da Lacração

 

Gostaria de entender por que uma sociedade destrói a vida de outra apenas para conquistar status. Será que nossa vida sempre será orientada pela marca da moda, pelo estilo da temporada, pela hipócrita integração social que não integra ninguém ou pelo reality show do momento?

Vejo, com muito pesar, os passos que temos dado ao longo das últimas décadas. É uma alienação total: revoluções no Facebook, no Instagram, no TikTok, no X, no Telegram e em tantas outras redes, promovidas por pessoas que mal conseguem sair de seus respectivos apartamentos, mas acham que entendem e podem julgar o mundo inteiro.

Há revoltas sem motivos concretos e a adoração de superstars que mais deveriam estar cumprindo pena em uma penitenciária de segurança máxima do que sendo alvo da devoção de fanáticos. Na ausência de referências estáveis, muitos são levados a seguir tudo o que veem nas mídias sociais. Isso sem contar os estilos culturais sem sentido que, ainda assim, fazem todo o sentido para uma massa cada vez mais desprovida de direção e, por isso, de ideais lógicos e positivos a seguir.

Sinto falta dos tempos em que Revoluções por Minuto e Legião Urbana davam às músicas o tom do desejo por justiça social. Sinto falta também dos programas de TV que mostravam ciência e discutiam estilos de vida. Do recanto de meu lar, observo a sociedade global se destruindo.

Os direitos que conquistamos, há décadas, com muito sofrimento, viraram motivo de zombaria e basófia diante do descaso dos próprios cidadãos. Poucos se importam com o sangue derramado no asfalto por seus antecessores para conquistá-los, em um tempo em que o brasileiro vivia a política e não fugia dela, como ocorre hoje.

Faço, então, um manifesto contra o comodismo e a degeneração social, mas sem a anarquia e a balbúrdia que se proliferam a cada protesto. Em muitos casos, a baderna nem sequer tem relação com o protesto em si; há manifestantes que nem sabem por que estão protestando.

As ruas mais parecem um ringue de luta — não apenas pela atuação policial, também comprometida pelo mau preparo a que seus agentes são submetidos, mas também pela atitude dos manifestantes, que não sabem protestar e provocam mais do que reivindicam. É um somatório de erros sem fim: humanos destruindo humanos, sociedade destruindo sociedade, uma vida pondo fim a outra, enquanto o essencial fica de lado para dar lugar ao profano.

Ainda há tempo. Lutem pela verdadeira justiça social. Divulguem. Vamos às livrarias, às bibliotecas, às escolas e às faculdades deste país. Vamos lutar para nos lembrar de que podemos ser fortes e de que devemos revelar aquilo que nascemos para ser: brasileiros capazes de expressar o melhor que existe em todos nós.

Cada um, ao fazer a sua parte hoje, poderá promover uma correção social desde a raiz, para que, daqui a vinte anos, nossos filhos e netos agradeçam àqueles que ajudaram a tirar o país da alienação social — um dos grandes males da sociedade moderna.

Mauro Veríssimo
Enviado por Mauro Veríssimo em 31/01/2014
Alterado em 28/09/2026
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