Manifesto Contra o Preconceito aos Flamenguistas!
Àqueles que se dizem da alta sociedade e chamam os torcedores do Flamengo de mulambos, ladrões ou gentinha, tenho um recado.
Pois bem: sou gentinha, sim; sou mulambo, sou rubro-negro, sou brasileiro!
E me sinto melhor assim do que pertencer a uma parcela da alta sociedade que, ao se julgar superior, fecha os olhos para os interesses que manipulam o mercado, a política, a cultura e os meios de comunicação, apenas para se perpetuar no poder.
É triste que o futebol seja usado como pretexto para humilhar pessoas!
Essa discriminação também é uma forma de preconceito contra as classes menos favorecidas, que têm o direito de escolher o time para o qual torcem sem serem ofendidas por isso.
Se desejam criticar ou reclamar, critiquem o Flamengo como organização, não os seus torcedores. Eles não jogam nem influenciam diretamente o resultado das partidas, sequer os bastidores esportivos ou mesmo políticos. Apenas torcem pela camisa que amam e admiram.
Pois bem, senhores da cúpula: se são tão cultos e honrados a ponto de se julgarem superiores a nós, as massas, e desejam que isso acabe, comecem por rever a própria conduta.
Combatam a corrupção que corrói este país e questionem os valores que transformam nosso Estado — que também lhes pertence — em um cenário de escândalos sucessivos, corrupção e lavagem de dinheiro em várias esferas do poder.
Façam uma faxina moral para que a ética volte a prevalecer em nossa vida coletiva. Vocês detêm grande parte do poder; é uma pena que nem sempre o exerçam como deveriam.
Então, senhores feudais, em vez de nos chamarem de sub-raça, ladrões ou mulambos, exercitem a autocrítica. Só assim o país poderá se modernizar em todos os sentidos.
Com mais ética, justiça e oportunidades, a arrecadação pública poderá servir também àqueles que vocês insistem em chamar de inferiores.
Seguindo esse caminho, menos pessoas serão empurradas para a falta de perspectivas; os “mulambos” deixarão de existir como insulto; e ninguém será inferior a ninguém.
Existirão cidadãos, todos com o mesmo direito — assim como eu — de manifestar sua felicidade nos estádios, sem serem discriminados por isso.