Aos Filhos de Asclépio
(Homenagem aos Profissionais da Saúde)
E o milagre acontece, como se vê desde os primórdios de nossa história: na preparação para o instante em que a vida fica por um fio, no ato e na plenitude do desfecho. É uma história de amor pela vida, travada entre os guerreiros de Asclépio e as criaturas de Hades, em prol da cura dos necessitados — daqueles que perderam seu elo com a saúde do corpo. É a história hipocrática entre o ser febril e o mestre curador, em um vínculo que atravessa gerações.
Desde o preparo do paciente, às vésperas da intervenção cirúrgica, até a sua alta, há uma grande travessia que o destino lhe reserva. Uma epopeia que o conduz ao sono profundo, faz com que atravesse as portas de Morfeu e viaje pelo Tártaro, até chegar ao objetivo vital: clamar pela própria cura, pela própria vida, aos pés de Asclépio. Após o gesto solene do deus grego da medicina, em favor da saúde restabelecida, ele pode refazer todo o caminho trilhado, voltar ao mundo dos vivos, retornar para casa livre, vivo e são. E continuará a descrever seu caminho até a chegada tardia do grande dia: a viagem aos Campos Elíseos, onde será recebido por toda a corte de Zeus, o grande deus do raio e senhor do Olimpo.
Médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e toda a equipe da saúde, além de seus mestres, parecem abençoados por Asclépio para salvar quantas vidas puderem, onde quer que estejam e por qualquer motivo, sejam líderes ou servos. Nesse momento, os olhos se tornam cegos às diferenças, e as mãos se fazem milagrosas. Grandes prodígios acontecem pelas mãos daqueles que salvam vidas: anjos mortais que imortalizam a medicina para todo o sempre.
Agradecimentos sinceros a todos vocês, que nos iluminam e orientam mesmo diante do Tártaro, nesta guerra cruel contra Hades e suas fúrias. Ainda assim, não desistem de lutar o bom combate, como os heróis e semideuses olimpianos fizeram antes de todos nós. Vocês não deixam de crer que, ao olhar para a luz e acreditar na mudança, podem salvar — podem nos salvar.
Contamos com todos vocês, ó anjos da cura. Filhos de Asclépio, os bem-aventurados desta terra que tanto precisa de suas mãos, que as bênçãos do Olimpo os banhem de pura iluminação suprema. A vocês, minha terna e eterna devoção.